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Aumenta a aposta na energia solar

sexta-feira, 22 de maio de 2015


Desonerações e programas de incentivo tiram do papel planos de investimento de fornecedores e prestadores de serviço do setor

Com os recentes incentivos anunciados pelo governo à micro geração de energia, fabricantes e prestadores de serviços para o setor aceleram projetos de expansão das atividades no país. Esta semana, duas empresas chinesas anunciaram planos para o mercado brasileiro, incluindo a instalação de uma fábrica de painéis fotovoltaicos em São Paulo pela BYD. Ontem, a fabricante de sistemas de refrigeração Gree lançou, no Rio, uma linha de aparelhos de ar condicionado movidos a energia solar, destinados a grandes instalações comerciais e industriais. A expectativa do mercado é que, com a isenção de ICMS na venda de energia por micro geradores, o ritmo de instalações acelere.

"Sem dúvida, o efeito da desoneração, aliado ao aumento das tarifas de energia, multiplicou o interesse", diz Eduardo Abreu, responsável pelas operações brasileiras da alemã Conergy, que trabalha na captação de US$ 45 milhões com investidores para expandir sua atuação no setor. A companhia iniciou as atividades no país no ano passado e calcula já ter, em carteira, projetos com potencial de geração de 50 megawatts (MW)- entre contratos para construção ou aluguel de sistemas geradores.

Mais antiga no país, a concorrente Brasil Solair também projeta expansão de sua atividade de locação de painéis para oito novos estados, com potencial de encomendas de 60 MW e investimento de R$ 200 milhões.

"Com a crise energética, acreditamos que cada vez mais a energia solar irá se consolidar como uma opção de fonte renovável na matriz energética", afirma o presidente da empresa, Nelson José Côrtes da Silveira. Desde a edição da Resolução Normativa 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que regulamentou a micro geração de energia em 2012, apenas 534 consumidores se dispuseram a instalar sistemas geradores no país. A Aneel, porém, estima que, a partir da redução de custos, o número de unidades consumidoras com geração própria pode chegar a 500 mil em meados da próxima década, com potência estimada em 2 gigawatts (GW).

É nesse potencial que apostam duas empresas chinesas que estiveram no Brasil esta semana acompanhando o primeiro ministro Li Keqiang emmissão oficial. A fabricante de painéis BYD Solar Solutions anunciou a instalação de uma fábrica de painéis fotovoltaicos em São Paulo, com início de operações estimado para meados de 2016. A unidade terá capacidade para produzir até 400 MW por ano em painéis, com a geração de 200 empregos diretos, informou a BYD. Atualmente, embora o Brasil já possua um fabricante, 100% dos equipamentos utilizados no país são importados.

Já a Gree aposta no mercado comercial com o lançamento de dois sistemas de refrigeração movidos a energia solar. Acoplados a painéis fotovoltaicos, os equipamentos permitem também a micro geração com redirecionamento da energia excedente para as distribuidoras de energia. "Percebemos grande potencial para esta linha de produtos no Brasil, especialmente por se tratar de um dos países com maior potencial fotovoltaico do mundo", comenta a presidente da companhia, Dong Mingzhu.

Para especialistas, a principal vantagem da energia solar no Brasil, em relação a países europeus, é que o horário de maior consumo de energia coincide com o de maior insolação. Além da desoneração do ICMS, o governo analisa medidas para fomentar a adesão de pequenos consumidores aos sistemas próprios de geração de energia, modelo bastante desenvolvido em países europeus mas que ainda esbarra no alto custo do investimento no Brasil - a instalação de um sistema custa entre R$ 7 mil e R$ 8 mil por quilowatt de potência. Por isso, empresas como a Conergy e a Brasil Solair se especializaram em aluguel dos equipamentos em contratos de longo prazo, repartindo a economia com os clientes.

A Brasil Solair, por exemplo, tem um projeto piloto em um conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida em Juazeiro (BA), que rendeu, no primeiro ano, R$ 1,5 milhão aos moradores. "Esperamos que o projeto possa ser replicado, dentro do modelo testado ou semelhante, contribuindo, não só para geração de renda para os condomínios e seus condôminos, mas também como geração de energia, que está escassa atualmente", diz o presidente da companhia. A Aneel quer ampliar o limite para a habilitação de micro geradores e desburocratizar a relação com as distribuidoras.

Além do governo federal, governos estaduais têm anunciado programas para incentivar o setor. Na quarta-feira, foi a vez do Distrito Federal, que anunciou o programa Brasília Solar, que pretende estimular a utilização da tecnologia em grande escala. Um primeiro passo neste sentido será a instalação de painéis em 17 escolas, com investimento de R$ 10 milhões e expectativa redução de até 80% no consumo. Além disso, há planos para o uso da fonte para suprimento das necessidades do metrô local.

Única fábrica do país ainda está fechada

Os planos para a instalação da fabricante chinesa de painéis solares BYD foram comemorados pelo governo, mas o alto custo da produção nacional ainda é um entrave para o desenvolvimento do setor.

Construída pela Brasil Solair na Paraíba, a primeira fábrica brasileira do equipamento ainda não começou a operar por falta de contratos. A unidade ficou pronta no final do ano passado.

A fábrica tem capacidade para produzir 300 mil painéis por ano, com potência total de 60 MW. A companhia apostava na busca por metas de nacionalização dos equipamentos em troca de financiamentos subsidiados do Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas ainda não obteve contratos.

A expectativa agora é que, com as medidas de incentivo em curso, o custo dos painéis brasileiros ganhe competitividade em relação aos importados. A própria Brasil Solair importa os painéis que fornece a seus clientes.

Fonte: Brasil Econômico
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