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DF é vice no desemprego

domingo, 28 de junho de 2015

Operários demitidos por empreiteiras tentam vaga no sindicato. Crise na economia desaqueceu o setor. Foto: D.A. Press
Operários demitidos por empreiteiras tentam vaga no
sindicato. Crise na economia desaqueceu o setor

TRABALHO / Ritmo de dispensas no Distrito Federal é maior do que em outras unidades da Federação. Tendência é de que a capital, em breve, se transforme na região com maior taxa de desocupação. Enfraquecimento da construção pesa no índice


Se manter ocupado no Distrito Federal tem sido um desafio para os trabalhadores. O nível de desemprego na capital está entre as maiores do país. Entre as seis regiões metropolitanas que compõem Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o DF possui o segundo maior índice de desocupação: 14,4%. Só perde para Salvador, que tem uma taxa de 18,2%. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que a construção civil e o setor de serviços são os que mais demitem.

O vice-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Júlio Miragaya, explica que o ajuste fiscal capitaneado pelo Executivo Federal e a crise nas contas do governo do DF reduziram a demanda por postos de trabalho. Sem obras públicas, as empreiteiras dispensaram trabalhadores. E o comprometimento da renda dos brasilienses também desaquece o ritmo de construções de prédios comerciais e residências. “Pior do que isso, são os reajustes abaixo da inflação. Com o poder de compra reduzido, os brasilienses consomem menos, e o comércio e o setor de serviços também são obrigados a dispensar”, detalhou.

Pelas contas de Miragaya, o DF pode se tornar, proporcionalmente, a região do país com maior taxa de desemprego, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). Atualmente, Rio Grande do Norte (RN) e Alagoas (AL) são os estados com maior taxa de desocupação, mas o quadro pode se inverter porque o ritmo de dispensas na capital é maior do que nas cidades do Nordeste — enquanto o nível de desemprego no RN passou de 11,4%, no primeiro trimestre de 2012, para 11,5% de janeiro a março deste ano, o do DF pulou de 8,6% para 10,8% no mesmo período de tempo. “O nível de empregabilidade de vários setores depende da massa salarial dos servidores. Com a inflação em alta, o problema se agrava porque o orçamento fica comprometido”, detalhou.

Procura
Vários currículos foram enviados, amigos consultados e incontáveis viagens às agências de trabalho foram feitas desde março. Nada deu resultado. Quando perdeu o emprego de carregador de equipamentos, o primeiro com carteira assinada, Felipe Fernandes, 20 anos, não pensou que teria tanta dificuldade em encontrar outro trabalho. Depois de um ano e oito meses no cargo, ele também não imaginava que seria demitido sem nenhum aviso prévio. “Não deram motivo nenhum, mas suspeito que tenha sido para cortar gastos”, conta. Foi assim, de surpresa, que ele e outros três colegas voltaram a distribuir currículos. Ele tinha 10 anos quando largou o serviço na fazenda, em um município no interior do Goiás, e veio para Brasília. Na cidade, ele já trabalhou como motoboy, garçom, se dedicou a serviços gerais. Hoje, não acha emprego em nenhuma dessas áreas. “Está muito mais complicado este ano”, lamenta.

Mais ou menos um mês antes de Felipe perder o emprego, Rosilene Vieira, 46, se demitiu. Preferiu entrar para o time dos desempregados a continuar trabalhando como cuidadora de idosos em uma casa onde não era bem tratada. Ao longo dos 18 anos em que se dedica à profissão, ela nunca tinha ficado tanto tempo esperando uma vaga aparecer. “Muita gente deixou de contratar porque não está conseguindo mais pagar. Com as contas mais altas, a situação apertou”, acredita. Para ajudar em casa, o filho dela, aos 15 anos, já pensa em trabalhar. “Ele pretende procurar alguma coisa de aprendiz, porque acha que deve me dar uma mão.”

Mas não é fácil para quem não tem experiência. Voner Araújo, 28, é formado em engenharia civil, mas nunca trabalhou na área. Com outros 10 parentes, passou os últimos anos se dedicando à padaria da família, no Rio de Janeiro. A experiência com engenharia não fez falta até este mês, quando o negócio familiar precisou ser fechado. “Não tivemos condições de mantê-lo em atividade, os impostos ficaram caros e estava dando prejuízo”, explica. Com a perda, ele e mais três parentes vieram procurar emprego na capital. “Os outros, que ainda não vieram, daqui a pouco chegam”, prevê. Apesar de acreditar que em Brasília será mais fácil encontrar alguma vaga, as buscas, por enquanto, não renderam frutos.



Fonte: CB
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