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Para-raios em condomínio não evitaram morte de pai e filho por choque

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Durante temporal, na tarde de ontem, um raio arrebentou um fio de alta-tensão, que atingiu um carro estacionado em frente à casa das vítimas, no Condomínio Solar de Brasília. Ao tentarem apagar o fogo no veículo, os dois homens receberam a descarga elétrica

O local do acidente que matou pai e filho nesse domingo (5/4), o Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, tem, pelo menos, seis para-raios, um em cada caixa d’água, de acordo com a antiga administradora do parcelamento. “Infelizmente, a área de alcance desses para-raios é limitada”, comentou Leda. O Solar de Brasília é um dos condomínios com melhor localização da região, ao lado da pista expressa da Ponte JK. A CEB orienta a população a jamais, e em qualquer circunstância, tocar na rede de energia – mesmo que seja com o apoio de materiais aparentemente isoladores. Veja no final deste texto a íntegra da nota da companhia.

A tragédia marcou o domingo de Páscoa da família das vítimas. Um fio de energia arrebentado matou pai e filho eletrocutados, durante um temporal à tarde. Por volta das 16h, um raio arrebentou a fiação de alta-tensão, que caiu em cima de um Celta, estacionado em frente à casa da família, na Quadra 1 do parcelamento. O veículo pegou fogo e, ao ver o incêndio, os moradores tentaram apagá-lo com o extintor.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
A luz do condomínio só seria restabelecida após a perícia

Ao se aproximar do local, Paulo Roberto Loureiro de Alencar, 65 anos, recebeu uma descarga elétrica. O filho dele Igor Simões da Silva de Alencar, 30, tentou ajudar e também levou um choque. Os dois morreram na hora. Outro filho de Paulo Roberto, cujo nome não foi divulgado, também ficou ferido ao tentar socorrer as vítimas, foi socorrido no local pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e passa bem.

De acordo com vizinhos, o raio atingiu a fiação da rede elétrica da rua. Em seguida, o fio caiu sobre o carro, provocando um incêndio. Testemunhas disseram que Paulo Roberto, ao ver o carro pegar fogo, tentou tirar o fio arrebentado de cima do veículo para impedir que o fogo se alastrasse e destruísse o Celta. De acordo com informações de engenheiros da Companhia Energética de Brasília (CEB), que fizeram o atendimento no condomínio, os moradores podem ter recebido uma descarga elétrica de 13 mil volts, que é a voltagem de uma rede de alta-tensão. O temporal provocou diversos picos de energia durante a tarde. No momento do acidente, o chão estava molhado e a água agiu como condutora de eletricidade.

Ao perceber que o pai tinha levado um choque quando encostou no cabo arrebentado, Igor tentou ajudá-lo, mas também foi eletrocutado. Os técnicos da CEB informaram à reportagem que as vítimas receberam a descarga três vezes, porque o sistema religa mais de uma vez na tentativa de restabelecer o serviço. “Na hora em que eles saíram de casa, o condomínio estava sem luz, por isso ele tentou tirar o fio de cima do carro”, comentou um morador, que acompanhou o socorro às vítimas, mas preferiu não se identificar.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por vizinhos para socorrer as vítimas e apagar o fogo, que atingiu a parte de baixo do carro, inclusive os pneus. No fim da tarde, a Polícia Militar isolou a área para perícia. Técnicos da Companhia Energética de Brasília também estiveram no local para tentar identificar as causas do acidente que vitimou pai e filho e restabelecer o serviço de energia elétrica da região. Até o fechamento desta edição, o condomínio permanecia sem luz. O serviço só seria normalizado após o fim da perícia e a retirada dos corpos.

Uma moradora, que também preferiu não se identificar, viu os corpos de pai e filho no chão e chamou a polícia. Segundo ela, os vizinhos já haviam tentado contato com os bombeiros, mas não tinham conseguido. Eles saíram das casas ao ouvir um barulho muito forte durante o temporal. Um vizinho, que mora a duas quadras do local do acidente, sentiu um forte cheiro de borracha queimada.

Proteção
A morte de pai e filho causou comoção entre os vizinhos. “É uma tragédia, estamos todos muito abalados com o que aconteceu. Em quase 20 anos, nunca tivemos nenhum problema grave com raio no condomínio”, comentou Leda Cavalcante, ex-síndica do Solar de Brasília.

Infraestrutura
A ocupação irregular começou há quase duas décadas, mas o parcelamento só ganhou melhorias de infraestrutura, como pavimentação completa, há cerca de oito anos. O condomínio foi erguido em terras públicas, de propriedade da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). Mas, como os lotes ainda não foram registrados em cartório, não há prazo para a regularização fundiária dos terrenos.

Memória

Mortes no DF
Ainda que Distrito Federal tenha uma das menores incidências de raios do país, pelo menos 11 pessoas morreram na unidade federativa desde 2011, segundo dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat). Confira alguns casos de acidentes causados por essas descargas elétricas.

9 de março de 2015
Um raio caiu no Batalhão da Guarda Presidencial (BGP), no Setor Militar Urbano (SMU), e deixou 31 militares feridos. As vítimas estavam treinando na hora do acidente. Elas foram levadas ao Hospital de Base do DF, ao Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e ao Hospital Militar de Área de Brasília.

22 de janeiro de 2015
Um homem de 54 anos ficou gravemente ferido após ser atingido por um raio enquanto passava em frente a um restaurante na 209 Norte. Um bombeiro que almoçava no local prestou os primeiros socorros. A vítima foi levada para o Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

3 de abril de 2012
O agricultor Antônio Romário Marques de Sousa, 18 anos, morreu ao ser eletrocutado por um raio
em uma chácara do Incra 9, em Brazlândia. O irmão da vítima, Wagner de Sousa Freitas, 16, também foi atingido e sobreviveu.

2 de novembro de 2011
Dez garotos jogavam futebol no Setor de Mansões Ilha Bela, em Águas Lindas (GO), quando um raio atingiu três deles. Dois morreram na hora e o outro foi socorrido. Brigadistas tentaram reanimar Alex Lima de Freitas Silva, 15 anos, e Francisco Jonathas Prada Sousa, 16, mas não tiveram sucesso.

14 de março de 2009
A queda de um raio próximo ao cais do PortoVittoria matou o empresário Alexandre Costa Gagliardi, 36 anos, filho do dono do espaço de eventos. Alexandre andava de jet ski no Lago Paranoá. Ao voltar ao cais, foi atingido pela descarga elétrica. O homem chegou com vida ao Hospital de Base.

NOTA DA CEB
A CEB lamenta profundamente o incidente que vitimou duas pessoas na tarde deste domingo, 5 de março, no Condomínio Solar de Brasília, na região do Jardim Botânico.

Somente o resultado de perícia poderá indicar o que realmente ocasionou o rompimento de um cabo de alta tensão (13.800 volts), que foi a causa do acidente. Mas informações preliminares, dadas pelos próprios moradores da localidade, sinalizam que uma descarga atmosférica tenha recaído sobre a rede.

Equipes técnicas e de segurança da CEB foram deslocadas imediatamente para o local, tão logo a empresa foi acionada, e prestou toda a assistência, auxiliou no trabalho da perícia e na reconstrução da rede danificada.

A CEB orienta a população a jamais, e em qualquer circunstância, tocar na rede de energia – mesmo que seja com o apoio de materiais aparentemente isoladores. Em situações como essa, a CEB recomenda que a população ligue imediatamente para a CEB no telefone 116.

Fonte: Correio Braziliense
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